segunda-feira, 26 de julho de 2010

"Sera que é"

Desculpem
o trocadilho infame,
mas a vida é feita de altos e baixos.
Altos, morenos, sensuais,
possíveis
e aquele baixinho,meio esquisito,
que não sai da sua cabeça.
Impressionante
como a gente sofre por nada.
Um cheiro que mexe com você,
um jeito de olhar contido,
uma idéia inteligente,
várias na verdade.
Não, não é nada disso,
a gente sofre
é pela impossibilidade.
E nada melhor do que as lacunas
da improbabilidade
para esquentar uma paixão.
Nessas lacunas você tem espaço
para criar a história como quiser,
ganha poder, inventa.
Ele é seu, seu personagem.
Nesses espaços livres
você coloca todos os seus sonhos,
toda a sua imaginação.
Cenas completas com fundo musical
e palavras certas,
finais e desfechos inesperados.
Quando você menos espera,
ele faz mais parte da sua vida
do que você mesma.
Mas a realidade aparece
mais cedo mais tarde,
vem como uma angústia
. Parece vontade de fazer xixi,
mas é tesão reprimido.
Tesão reprimido deve dar câncer.
Era só um cara interessante,
agora pode te matar.
Pronto, você está apaixonada.
E a paixão tem suas etapas.
Primeiro a negação:
eu apaixonada? Imagina.
Depois a maximização:
ele é mais inteligente,
mais bonito,
mais engraçado.
Daí é a vez da "superlativização":
em vez de ser mais,
ele é "o mais",
o mais fodido,
o mais inteligente
e o mais gostoso.
E você está a um passo
do endeusamento:
"ele é único",
aí fodeu.
Se ele é único,
ele é a sua única chance de ser feliz.
E, se não dá certo,
você acaba de perder
a sua única chance de ser feliz.
Bem-vinda à depressão.
Como você é ridícula,
amor platônico é para adolescentes.
Lá fora há milhares
de possibilidades de felicidade
de felicidades possíveis.
De realidade.
E você eternamente trancada
na porta que o mundo fechou na sua cara.
Fazendo questão
de questionar e atentar o inexistente.
Vá viver um grande amor.
Olha, faça um favor para mim,
antes de tremer as pernas
pelo inconquistável
e apagar as luzes do mundo
por um único brilho falso,
olhe dentro de você e pergunte:
estupidez, masoquismo ou medo
de viver de verdade?"
                                          Buscando a Autora
Postar um comentário